Esta reflexão nasceu a partir de uma ministração baseada no clássico livro “O Homem que Deus Usa”, de Oswald Smith, uma obra que nos confronta sobre consagração, quebrantamento, oração, amor pela Palavra e dependência do Espírito Santo. Constantemente ouvimos a pergunta: “De que forma Deus vai me usar?” No entanto, talvez a questão mais importante seja outra: “Que tipo de pessoa Deus usa?” O princípio divino é claro: antes da plataforma, Deus procura o altar. Antes de observar nossos talentos, Ele examina nosso coração. E antes de nos posicionar diante de multidões, Ele nos forja no lugar secreto.
Em Atos 13.22, encontramos o testemunho poderoso do Senhor sobre Davi: um homem segundo o Seu coração. É importante ressaltar que isso não significa que Davi era um homem livre de erros — a Bíblia expõe com clareza suas falhas. Porém, ele possuía as características que Deus valoriza profundamente: um coração genuinamente quebrantado, arrependido e constantemente disposto a retornar aos caminhos do Senhor.
Deus vê o coração
Quando o profeta Samuel foi à casa de Jessé com a missão de ungir o novo rei de Israel, ele rapidamente se impressionou com o porte e a aparência do primogênito, Eliabe. Contudo, a correção de Deus foi imediata e precisa:
“O homem vê o exterior, porém o Senhor, o coração.”
1 Samuel 16.7
Essa verdade continua sendo extremamente atual e necessária. Vivemos em uma geração imersa em superficialidades, que supervaloriza a imagem, o engajamento, os números, a visibilidade e a alta performance. Entretanto, o Senhor não se impressiona com aparência espiritual ou máscaras religiosas. Ele sonda o nosso interior para ver as nossas motivações, as nossas intenções e o nosso grau de rendição. No fim das contas, o que realmente somos quando ninguém está olhando tem muito mais importância e peso para Deus do que aquilo que apresentamos ao público.
Deus usa pessoas rendidas e quebrantadas
Aquele e aquela que Deus decide usar não são, obrigatoriamente, os mais fortes, os mais influentes ou os mais habilidosos. O Senhor busca pessoas que abrem mão do controle de suas vidas e se entregam completamente à Sua vontade. Ter uma vida consagrada é declarar diariamente: “Senhor, meus planos, meus dons, meu tempo, meu futuro e minhas vontades pertencem a Ti.” Deus não quer ser apenas o dono de uma pequena parte da nossa rotina, Ele deseja a totalidade de quem somos.
Além da rendição, é necessário o quebrantamento, pois o orgulho é um bloqueio que fecha nossas portas espirituais, enquanto a humildade pavimenta e abre espaço para a ação de Deus. Como o próprio Jesus afirmou com veemência: “Sem mim nada podeis fazer” (João 15.5). Ser uma pessoa quebrantada não tem nenhuma relação com ser fraco. Trata-se do reconhecimento maduro de que somos totalmente dependentes da graça do Senhor. É aceitar que Deus molde o nosso caráter com Suas mãos antes de ampliar a nossa influência sobre as pessoas ao redor. Lembre-se: é o vaso quebrado que permite que a luz de dentro brilhe e passe adiante.
Deus usa pessoas de oração, de Palavra e cheias do Espírito Santo
É impossível nutrir uma vida espiritual profunda sem a disciplina da oração, da mesma forma que não há como alcançar a maturidade cristã sem um amor apaixonado pela Palavra de Deus. A oração constante nos mantém conectados e dependentes do Pai, enquanto as Escrituras têm o poder de formar o nosso caráter, promover a renovação da nossa mente e pavimentar os passos da nossa caminhada. Portanto, quem carrega o desejo sincero de ser um instrumento nas mãos de Deus precisa dominar a arte de permanecer firmado no secreto muito antes de desejar aparecer em público.
Embora talentos e preparo técnico tenham a sua importância, nunca devemos confundir habilidade natural com unção divina. Uma boa habilidade pode até alcançar e impressionar os ouvidos humanos, mas somente a unção é capaz de despedaçar o jugo e tocar verdadeiramente o coração. Foi por isso que Jesus instruiu Seus discípulos a esperarem pelo poder do Espírito Santo, nos relembrando para sempre que a obra eterna de Deus jamais pode ser realizada amparada somente pela força ou pela capacidade humana.
A pergunta que muda tudo
O ponto central de nossa reflexão não deve mais focar no “Como Deus vai me usar?”, mas sim em examinar e responder: “Quem eu estou me tornando dia após dia para que Deus, finalmente, possa me usar?”. O que Deus procura incansavelmente são corações rendidos, almas quebrantadas, pessoas inundadas pelas Escrituras, enraizadas na oração e transbordantes da presença do Espírito Santo. Davi entrou para a história como "o homem segundo o coração de Deus" não devido a um histórico impecável de perfeição, mas sim porque detinha a sabedoria divina de reconhecer seus erros e saber o caminho de volta para os braços do Pai.
Essa, sem dúvida, é uma notícia maravilhosa: o nosso Deus continua se agradando em usar pessoas comuns, falhas e de capacidades limitadas, contanto que estas se rendam integral e incondicionalmente a Ele. Por isso, convido você a fazer dessa a sua oração simples, sincera e constante: “Senhor, forma e molda em mim o coração de alguém que Tu possas usar livremente.”
Assista à pregação completa e aprofunde essa mensagem baseada em Atos 13.22 e inspirada no livro “O Homem que Deus Usa”, de Oswald Smith.
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